
Grupo de Pesquisa de
SAÚDE, TRABALHO E AMBIENTE
INSTITUTO WALTER LESER | FESPSP

SEGUNDA TEMPORADA
O trabalho no não espaço-tempo
REPORTAGEM
Produção
LILIAN PRIMI
Reportagem
THIAGO BENETTI
Participação
LUCI PRAUN
Socióloga e pesquisadora da Fundacentro do IWL
RAYMUNDO LIMA
RIBEIRO JÚNIOR
Procurador do MPT e coordenador do Caodemat

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A centralização da gestão em estruturas distantes das áreas produtivas não surgiu com a pandemia nem com as plataformas digitais. Ela faz parte de um processo mais antigo de reorganização do trabalho, iniciado com força nas décadas de 1980 e 1990, quando empresas passaram a adotar modelos de gestão inspirados no toyotismo, na flexibilização e no chamado “enxugamento” de custos. Nesta reportagem, a socióloga e professora Luci Praum e o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Raymundo Lima Ribeiro Júnior, explicam como o mercado de trabalho lida com as vantagens e desvantagens da comunicação em tempo real.
Com o avanço das tecnologias digitais, esse processo ganhou outra escala. A gestão que antes dependia de estruturas locais passou a ser feita à distância, muitas vezes a partir de outros países. Equipes espalhadas por diferentes fusos horários passaram a responder a chefias, metas e decisões tomadas longe do local onde o trabalho efetivamente acontece e a pandemia acelerou esse movimento. Ao mostrar que reuniões, controle de tarefas, pagamentos, contratações e decisões administrativas poderiam ser feitos remotamente, ela abriu espaço para que empresas concentrassem áreas inteiras de decisão em centros globais.


